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UTILIZAÇÃO DE CÃES NO MANEJO DOS ANIMAIS

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O cão é o melhor amigo do Homem!

E da ovelha, também?


Desde a antiguidade, os pastores utilizam cães no manejo das ovelhas, facilitando o controle e cuidado dos rebanhos. Um pastor, com a ajuda de cães treinados, pode: tanger, guiar, trabalhar em centros de manejo e realizar práticas sanitárias de rebanhos imensos. Um trabalhador, com um cão não treinado, pode: espalhar, machucar, diminuir os índices de concepção, aumentar o abandono de cordeiros, estressar os animais, levar ao aumento de mortes e até ao ataque noturno dos ovinos para alimentação ou simplesmente para “brincadeira” e treinamento de ataque dos cachorros.

Cuidados na utilização de cães de pastoreio


Um bom cão de pastoreio é aquele selecionado de linhagens tradicionalmente pastoras. Dificilmente um cão de uma raça com outras aptidões se dá bem no trabalho com rebanhos. Normalmente, em algum momento, ele se devia e causa prejuízos.

O treinamento de cães e do pastor é fundamental para o bom resultado do trabalho, pois bons cães mal manejados se transformam em péssimos trabalhadores, ou começam a causar transtornos aos animais com mordidas e com desvio de conduta, espalhando os rebanhos e perseguindo alguns indivíduos como forma de diversão.

Tipos de cães para trabalho com os animais:


- Cães de condução de rebanho

São cães conhecidos como pastores ou ovelheiros,provêm de raças especializadas em tanger o rebanho e podem ter especialidades como: tocar por trás (na culatra), controlar pelos lados para o rebanho não se dispersar, ou “correr” por cima das ovelhas para fazê-las caminhar mais rápido ou entrar em algum brete ou local onde elas não querem ou têm receio de entrar.

- Cães de proteção

Utilizados desde a antiguidade e provenientes de raças específicas, são conhecidos como cães de proteção ou “guard dogs”. Têm o objetivo de proteger o rebanho contra ataque de predadores, como cães vadios, lobos, ursos, grandes felinos e ladrões. Normalmente se consideram membros do rebanho e vivem com ele, protegendo-o contra qualquer tipo de ameaça. Funcionam melhor em grupos familiares ou de no mínimo dois ou três cães.

É bom ressaltar que esses animais têm aptidão definida; dificilmente um protetor é bom condutor e muito menos um condutor é bom guardião! É importante ter em mente que os cães de pastoreio ou proteção devem ser selecionados pela sua índole e predisposição ao trabalho.

Há muito tempo os rebanhos no Rio Grande do Sul vêm sofrendo ataques de cães, sorros, caranchos, pumas, javalis e de ladrões. Muitos produtores se resignam a isso, diminuindo o número de ovinos ou trazendo-os para perto “das casa”, a fim de cuidar melhor. Evitam utilizar invernadas isoladas o que dificulta no manejo e gera número elevado de perdas, mal aproveitamento do campo, bem como aumenta a incidência de problemas sanitários como verminose e manqueira o que, consequentemente, diminui a produtividade do rebanho.

Outro problema sério se verifica quando os rebanhos ficam próximos de núcleos urbanos ou assentamentos, pois o número de cães sem controle e a presença de caçadores praticamente impossibilita a criação de ovinos.

Eu assisti na minha região, que fica nos campos de cima da serra, à quase extinção dos rebanhos ovinos devido ao ataque do Leão Baio ou Puma; o mesmo aconteceu no Estado de Santa Catarina. Esses animais sempre existiram na Região, mas não atacavam ovinos. De um tempo para cá, começaram a dizimar rebanhos inteiros, com inúmeras mortes a cada noite, entrando inclusive em galpões bem fechados, mangueiras de tela, com cerca elétrica e até cozinhas. A suposição dos produtores é de que isto ocorreu devido à repovoação artificial promovida por órgãos ambientais. Os animais “jogados” ali não tinham medo do ser humano e possuíam pouca aptidão para caçar animais selvagens, encontrando comida farta nas dóceis e indefesas ovelhas e depois, com a falta dessas, atacavam potros e, por fim ,terneiros novos. Os piores ataques acontecem quando as leoas estão de cria nova e ensinam os filhotes a caçar, aí o quadro é desolador!

Como na minha criação, por muito tempo, não houve ataques de pumas, fui levando, contornando roubos, ataques de cães vadios e caranchos. Tentei utilizar cães de proteção. Comecei com a raça Komondor, mas devido a minha inexperiência, não treinei adequadamente os cães e não obtive bons resultados, no entanto, consegui ótimos guardas de minha casa.

De três anos para cá, devido à superpopulação de pumas, começaram os ataques! Eram dois ou três ovinos mortos a cada 3 ou 4 meses. No entanto, de um momento em diante, os ataques começaram a ficar mais freqüentes, obrigando-me a prender o rebanho todas as noites em potreiros fechados com cercas elétricas e cães amarrados no potreiro (utilizei Pit Bull, American, Collie, Border Collie, Perdigueiro, etc.. a cadela mais eficiente foi uma pinscher). Mesmo adotando as medidas citadas, o resultado foi um desastre...

Recorri então aos cães Pastor Maremmano Abruzês ou maremano cujo trabalho de proteção a rebanhos contra cães, onças e ladrões acompanhei em outros países e também no estado de São Paulo . Comprei um casal já trabalhando, e, após a adaptação ao rebanho, deixei de ter problemas de mortes pelos pumas. Os felinos seguem atacando uma ou duas vezes por mês, mas os cães defendem o rebanho, ficando um no meio do lote e outro correndo em volta e enfrentando o felino. Um fator de sucesso é que o cão nunca ataca o agressor, ele é ótimo no blefe e intimida o puma, se preservando, assim. As únicas brigas reais foram com cães vadios que atacaram o rebanho, aí, se não tiver jeito, o maremano parte para cima mesmo!

Outro fator inacreditável e interessantíssimo é a ação do cão na parição das ovelhas: principalmente o Bill, meu cão líder, fica deitado de longe vendo a ovelha parir, alerta a carancho, etc... Quando a ovelha termina o parto e o cordeiro se levanta, ele vai lá e come os restos de placenta, o que diminui o chamariz para predadores. - e a reação da ovelha ? ... nem dá bola, ela confia no cão!

Com outros tipos de predador como sorro e pequenos cães, não existe mais nenhum problema, pois os cães patrulham o território e não permitem a entrada deles onde existem ovelhas. As únicas mortes ocorridas desde que tenho os cães foram duas ovelhas por Puma e uma por uma matilha de cães, mas estas ovelhas estavam isoladas, longe do rebanho e dos Maremanos, e no caso dos cães, as ovelhas estavam noutro campo e deu tempo para os intrusos matarem apenas uma. Em seguida foram repelidos, tanto que não puderam comer a presa.

Um fator importante a ser observado quanto a para a proteção pelos Maremanos é de que as ovelhas estejam agrupadas. Não precisa ser em uma mangueira ou potreiro, mas em paradores no campo mesmo! Se o cão for treinado para vigiar este lugar, ele protege as ovelhas soltas.

Quando as ovelhas são presas à noite, na largada, o cão sai na frente para inspecionar o potreiro. Se forem vários lotes, cada cão sai com um lote. Normalmente ele volta e vai dormir o dia inteiro na sombra. Se não voltar, é porque existe algum perigo e ele fica no alto de uma coxilha sentado de guarda. À noite ele nunca dorme, e só entra dentro de casinhas se estiver amarrado, fica ao relento junto com as ovelhas.

No Brasil existem várias raças com aptidão para guardar rebanhos, as mais numerosas são Maremano e Kuvasz. Temos também Komondor e Akbash. Preferi os primeiros por haver maior número de animais disponíveis com comprovação no trabalho. O maior problema do produtor é acostumar o cão ao rebanho, mas com técnicas simples se pode facilmente adaptar os ovinos e os cães. Outros problemas ocorrem pela descrença e boicote de funcionários, além da vontade de criar os animais como se fossem de estimação. O maremano é um cachorro para o trabalho e não para a família! Procure adquirir um cão criado em fazenda de ovinos e acostumado com o rebanho, e antes de levar o animal para fora, é importante treinar o pessoal e a família em como tratar o animal.

Neste texto, tentei passar minha experiência pessoal. Sempre ouvia histórias sobre esses animais, mas de longe! Na minha primeira tentativa eu errei, mas hoje, sem os cães, já teria desistido de criar ovelhas, e eu sou um apaixonado pela atividade.

Med. Vet. Me. Marcelo Spinelli Grazziotin
Produtor de ovinos em Vacaria e Bom Jesus – RS
www.cabanhadamacena.com.br
cabanhadamacena@terra.com.br




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